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terça-feira, 31 de maio de 2011

Crescimento Demográfico X Produção Alimentar


Terminal Metroviário em São Paulo - Fonte: blogdofavre.ig.com.br


O planeta atingiu ainda no século passado a surpreendente marca de 6 bilhões de habitantes. Seis bilhões de pessoas consumindo o que é produzido em todo o planeta certo? ERRADO!
Ao menos 1/3 desse total não tem acesso aos alimentos básicos à sobrevivência. Seria por que está faltando comida? Pelo menos por enquanto, ainda não. Então é Por que se alimentam espiritualmente, pois já dizia Jesus Cristo: “Nem só de pão viverá o homem (...)”? Antes fosse!


Cereais - Fonte: bahianoticias.com

A verdade é que os recursos que garantem o acesso a alimentação básica das pessoas são distribuídos de forma desigual, e principalmente desumana. Enquanto toneladas de alimentos são desperdiçadas apodrecendo em estoques nos silos de grandes fazendas ou até mesmo são destruídas sem o menor pudor como muitas vezes fazem os produtores de leite em Minas Gerais e outros estados brasileiros (e não é só leite, diga-se de passagem), por exemplo, para aumentar ou manter os altos preços visando lucros monetários astronômicos a poucos, a humanidade consegue assim adquirir uma postura deplorável, mesquinha, covarde e egoísta condenando boa parte da população a mais temível das dores, a fome.


Opulência e escassez resultante do modo de produção Capitalista - Fonte:informecritica.blogspot.com

Em busca de amenizar tais problemas e contradições, os governantes lançam mão de estudos e proposições que nem sempre atingem seus objetivos. De qualquer maneira, os estudos e análises fornecem informações aos dirigentes para que sejam tomadas medidas de ordem prática. No entanto, a natureza dessas medidas varia em função dos diversos interesses sejam eles políticos, sejam econômicos, etc..

Segundo SANTOS (1996, p. 16) a existência do homem na terra foi marcada pela descoberta e redescoberta da natureza, desde o fim da sua História natural e a criação de sua História Social, ao desencantamento do Mundo, com a passagem de uma ordem vital a uma ordem racional.

O tema crescimento demográfico sempre faz surgir muitas polêmicas e posições antagônicas. Mesmo ocorrendo de forma diferenciada nas diversas regiões do planeta, o crescimento populacional é um problema que atinge todos os seus habitantes.
Várias questões estão surgindo em relação às perspectivas do aumento populacional para as próximas décadas, dentre elas a disponibilidade de recursos naturais para abastecer o conjunto crescente de populações; a deteriorização do meio ambiente e, portanto, da quantidade de vida; assim como a capacidade ou não, da tecnologia em fazer frente à demanda de alimentos e recursos necessários a vida do homem na terra.


Pão, o alimento mais popular do mundo - fonte: eremopon.blogspot.com

Teorias e mais teorias:


Fonte:f1colombo-geografando.blogspot.com

Inúmeras teorias foram elaboradas para tentar explicar o crescimento populacional e a relação com a capacidade de produção alimentar do planeta. Dentre elas, é comum se destacarem três, que estão muito inter-relacionadas: a malthusiana, a neomalthusiana e a reformista.
A teoria demográfica formulada pelo economista e matemático inglês Thomas Robert Malthus (1776-1834) foi publicada em 1798, no livro Ensaio sobre o princípio da população.


Thomas Malthus

De acordo com Malthus, a população mundial apresentaria crescimento comparado a uma progressão geométrica (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64...), e a produção de alimentos apresentaria um crescimento num ritmo lento, comparado a uma progressão aritmética (1, 2, 3, 4, 5, 6...).


Plantação de Milho - Fonte: focociencia.blogspot.com

Ainda de acordo com os cálculos de Malthus, ao final de um período de apenas dois séculos, o crescimento da população teria sido 28 vezes maior do que o crescimento da produção de alimentos. Dessa forma, a partir de determinado momento, não existiriam alimentos para todos os habitantes da Terra, produzindo-se, portanto, uma situação catastrófica, em que a humanidade morreria de inanição.

Malthus chegou a propor como única solução - para o problema da defasagem entre população e alimentos – que a própria população deveria adotar uma postura de privação voluntária dos desejos sexuais, com o objetivo de reduzir a natalidade, equilibrando o crescimento demográfico com a possibilidade de expansão da produção de alimentos.

Naquela época, a obra fez muito sucesso, mas hoje suas idéias são consideradas ultrapassadas pela maioria dos estudiosos. Para os críticos de Malthus, não se elimina a falta de alimentos diminuindo o número de nascimentos entre a população mundial, mas redistribuindo a riqueza produzida no mundo.

Na realidade, ocorre grande concentração de alimentos nos países ricos e, consequentemente, má distribuição nos países pobres. Porém, em nenhum momento a população cresceu conforme o cálculo de Malthus.


Distribuição de alimentos na Índia


Velho hábito de desperdício de alimentos nos países ricos

A Teoria Neomalthusiana começa a se desenvolver nas primeiras décadas do século 20, baseada no pensamento de Malthus, razão pela qual passou a ser denominada de neomalthusiana.

O neomalthusianismo somente se firmou entre os estudiosos da demografia após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em função da explosão demográfica ocorrida nos países subdesenvolvidos. Esse fenômeno foi provocado pela disseminação, nos países subdesenvolvidos, das melhorias ligadas ao desenvolvimento da medicina, o que diminuiu a mortalidade sem que a natalidade declinasse.


A Penicilina passou a ser usada pela medicina diminuindo grande nº de mortes por doenças infecciosas como a Pneumonia, por exemplo.

Os neomalthusianos analisam essa aceleração populacional segundo uma ótica alarmista e catastrófica, argumentando que, se esse crescimento não for impedido, os recursos naturais da Terra se esgotarão em pouco tempo.

Para conter o avanço populacional, esses teóricos utilizam várias propostas, principalmente a da adoção de políticas visando o controle de natalidade, que se popularizaram com a denominação de Planejamento Familiar.


Metodos contraceptivos, instrumentos da política de planejamento familiar

Algumas medidas adotadas por entidades mundiais (ONU, FMI, Banco Mundial, UNICEF, entre outros) nos países subdesenvolvidos, ajustadas a cada população, são exemplos de políticas de controle de natalidade: esterilização em massa de populações pobres (como foi feito na Índia e na Colômbia); distribuição gratuita de anticoncepcionais; assistência médica para uso de dispositivos intrauterinos (DIUs); divulgação de um modelo de família bem-sucedida, com no máximo dois filhos, em programas de televisão, na publicidade e no cinema.

Numerosa família em 1920 - Fonte: familiacerutti.com.br


Modelo de família ideal no século XXI - Fonte: www3.sesi.org.br

As idéias básicas da Teoria Reformista são todas contrárias às de Malthus: sua principal afirmação nega o princípio malthusiano, segundo o qual a superpopulação é a causa da pobreza. Para os reformistas, é a pobreza que gera a superpopulação.


Lagos, Nigéria. A cidade é superpovoada e também é um dos maiores bolsões de miséria dos dias atuais

De acordo com a teoria reformista, se não houvesse pobreza as pessoas teriam acesso a educação, saúde, higiene, etc., o que regularia, naturalmente, o crescimento populacional. Portanto, é exatamente a falta dessas condições o que acarreta o crescimento desenfreado da população.

Os reformistas atribuem a origem da pobreza à má divisão de renda na sociedade, ocasionada, sobretudo, pela exploração a que os países desenvolvidos submetem os países subdesenvolvidos. Assim, a má distribuição de renda geraria a pobreza - e esta, por sua vez, geraria a superpopulação.


Expresso coletivo na Índia - Fonte:clubecafelivro.com.blogspot.com

Outra crítica dos estudiosos reformistas aos malthusianos diz respeito ao crescimento da produção. Para Malthus esta crescia em ritmo inferior ao da população. Para os reformistas, isso também não é verdadeiro, pois, com o início da revolução industrial e a consequente revolução tecnológica, tanto a agricultura quanto a indústria aumentaram sua capacidade produtiva, resolvendo, dessa forma, o problema da produção.


Irrigação em lavoura - Fonte: machinequima.blogspot.com

O processo de modernização agrícola no final dos anos 1940 e na década seguinte, foi caracterizada por novas transformações tecnologicas inseridas nas atividades agrícolas modificando inclusive as estruturas agrárias principalmente em países em vias de desenvolvimento como o Brasil, a Índia, a Argentina, etc...
Conhecida como revolução verde, a mecanização no campo aliada à fertilização do solo e o desenvolvimento de pesquisas em sementes adaptáveis a diferentes solos e condições climáticas, esse movimento tinha a meta de aumentar a produção agrícola e acabar com a fome mundial. Constatou-se um aumento significativo na produção alimentar mundial, no entanto,a modernização das atividades agrícolas teve várias consequencias negativas como o aumento das despesas com o cultivo e endividamento dos agricultores, perda de biodiversidade, redução da mão de obra rural, poluição de solos com uso de insumos quimicos, além de não ter solucionado o problema mundial da fome, uma vez que os produtos plantados nos países tidos como celeiros do mundo, se destina ao abastecimento de mercados consumidores de países ricos industrializados.


Pulverização com inseticida em plantação - Fonte: alunosonline.com.br

Os reformistas defendem que os governos deveriam implantar uma política de reformas sociais - na tecnologia, para aumentar a produção e resolver definitivamente o problema da sobrevivência humana, e na distribuição da renda, visando o acesso da maioria às riquezas produzidas.


Fonte: funverde.org.br

Só assim o problema da pobreza se resolveria. E, resolvendo o problema da pobreza, se resolveria também o problema da superpopulação. Ou seja, não haveria mais desequilíbrio entre uma e outra.

A FAO


A Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, lidera os esforços internacionais para erradicar a fome. Servindo tanto a países desenvolvidos e em desenvolvimento, a FAO atua como um fórum neutro, onde todas as nações se reúnem como iguais para negociar acordos e debater políticas. A FAO é também uma fonte de conhecimento e informação. Tem como objetivo ajudar os países em desenvolvimento e países em transição a modernizar e melhorar a silvicultura e pesca, práticas agrícolas e garantir uma boa nutrição para todos. Desde a sua fundação em 1945, a FAO tem focado a atenção especial no desenvolvimento de áreas rurais, onde vivem 70 por cento de pessoas famintas e pobres do mundo.

O idealizador da FAO:


Josué de Castro

Ele é um personagem pouco conhecido do mundo acadêmico Piauiense. Fora de nossa academia também poucos o conhecem. Por ocasião dos 100 anos do seu nascimento, esperava-se que muitas manifestações eclodissem em divulgar suas idéias, não somente entre a intelectualidade, mas também em outros espaços sociais, e como muito pouco aconteceu, sinto-me imbuído de resgatar à nossa sociedade pelo menos um pouco de sua historia a partir de sua mais importante obra: a “geografia da fome”, e assim poder refletir sobre a importância que teve este ilustre nordestino no questionamento que fez a fome como um fator meramente político.

Josué de Castro nasceu em Recife, Pernambuco no ano de 1908, e durante sua vida exerceu uma diversidade de funções: foi médico, nutricionista, geógrafo e político, tendo escrito varias obras e todas elas demonstrando a preocupação com os problemas da fome. Por causa disso, em 1946, escreveu o livro intitulado “Geografia da Fome” onde argumentava com rigor cientifico, uma nova concepção pratico-teorica a respeito da situação alimentar e nutricional obra, Josué de Castro rompeu com geografia clássica, incorporando uma das dimensões explicativas mais importantes, que foi a da análise política, para desvendar a significação e conseqüências do desenvolvimento espacial desigual e o fenômeno da alimentação dentro dos princípios geográficos. Assim, caracterizou um mapa da problemática e propôs soluções para o combate a fome e o sub desenvolvimento a partir do equilíbrio regional.

Consciente da diferença entre as causas naturais e sociais da fome e o desequilíbrio regional pretendia provocar uma mudança de atitude, e incorporar características fundamentais do humanismo nos projetos de desenvolvimento vigentes naquela época. percebia que as medidas para acelerar o crescimento econômico dos países após a Segunda Guerra Mundial relegavam a plano secundário a questão da eqüidade e estavam promovendo uma crescente desigualdade, o aumento da pobreza e o alastramento da fome, tornando mais vulneráveis e dependentes os países do Terceiro Mundo. Esse clamor por uma mudança radical de atitudes assumiu proporções internacionais, confluindo em depoimentos de representantes de 44 nações na Conferência de Alimentação de Hot Springs (EUA), em 1943, com um posicionamento que mais tarde deu origem a FAO.

Em seu olhar de médico, Josué de Castro teve a preocupação em detectar a existência da fome em sua época e descrever as principais mazelas causadas pela mesma no ser humano. Carências alimentares e suas respectivas doenças são descritas pelo Autor, além de escrever também sobre os episódios de fome aguda e a alta incidência de mortalidade a ela relacionada.

Falava da fome como um problema social e não natural, dizia que sua existência se dava porque a renda não era distribuída e a terra era concentrada não mãos de poucos. Porem falava de fome numa época em que esse era um tema proibido sendo vista apenas como uma conseqüência natural ocorrer nos meios dos pobres. Por causa de ter ousado Dar outra explicação para a fome, foi considerado subversivo e exilado de seu País quando ocorreu o golpe militar em 1964.

Além de idealizador da FAO, foi categoricamente o motivador do Programa Fome Zero. Conterrâneo de Lula atuou intensamente, como médico e pesquisador nas periferias de Recife, nos mocambos do rio Capibaribe e nos sertões pernambucano, cuidando de gente pobre e testemunhando a fome de milhares de pessoas causada principalmente pela exploração e pelo descaso dos governantes.

Conhecedor pessoalmente de Josué de Castro e seu posicionamento sobre a desigualdade regional e a fome, O presidente Lula que viveu essa realidade quando criança e quando adulto operário teve como primeiro ato na presidência do País, lançar as bases para a superação dessa mazela social, a partir do Programa Fome Zero. Assim, esse Programa que há seis anos vem atendendo a milhares de pessoas garantindo alimentos e educação tem sem duvidas como seu patrono o apelo feito pelas idéias de humanistas de Josué de Castro.

Josué de Castro “deixou” o Brasil em abril de 1964 cassados os direitos políticos por força do golpe militar (AI-1), exilou-se na França, onde faleceu em 24 de setembro de 1973.

Para que se conheça melhor os feitos desse bravo nordestino que trilhou sempre pelos caminhos da historia dos desfavorecidos do Brasil e do mundo, vejamos agora um pouco mais de sua biografia e os mais nobres comentários de alguns catedráticos e homens do povo que foram seus contemporâneos.

Josué de Castro foi formado em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, em 1929, Livre-docente de Fisiologia da Faculdade de Medicina do Recife, 1932; Professor Catedrático de Geografia Humana da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais do Recife, 1933 a 1935; Professor Catedrático de Antropologia da Universidade do Distrito Federal, 1935 a 1938; Professor Catedrático de Geografia Humana da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, 1940 a 1964.

Foi convidado oficial do Governo Italiano para realizar um ciclo de conferências nas Universidades de Roma e Nápoles sobre "Os Problemas de Aclimatação Humana nos Trópicos", 1939. E de vários países para estudar problemas de alimentação e nutrição. Entre eles: Argentina (l942), Estados Unidos (l943), República Dominicana (l945), México (l945), França (l947).

Foi Chefe da Comissão que realizou o inquérito sobre as Condições de Vida das Classes Operárias do Recife (primeiro inquérito desta natureza levado a efeito no país), 1933.

Foi Membro da "Comissão de Inquérito para Estudo da Alimentação do Povo Brasileiro", realizado pelo Departamento Nacional de Saúde, 1936.

Ganhou vários Prêmios: Pandiá Calógeras, 1937, Prêmio José Veríssimo da Academia Brasileira de Letras, 1946; Prêmio Roosevelt" da Academia de Ciências Políticas dos EUA, 1952; "Grande Medalha da Cidade de Paris", 1953; "Prêmio Internacional da Paz", 1954; e Grande Cruz do Mérito Médico, Brasil.Idealizou organizou e dirigiu o Serviço Central de Alimentação, depois transformado no Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), 1939 e 1941.Presidiu a Sociedade Brasileira de Alimentação, 1942 a 1944; Idealizou e dirigiu o Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil, 1946.Foi delegado do Brasil na "Conferência de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas,", convocado pela FAO (Food and Agriculture Organization) agosto de 1947. Membro do "Comitê Consultivo Permanente de Nutrição", da FAO, 1947. Professor Honoris-Causa da Universidade de Santo Domingos, República Dominicana, 1945; da Universidade de San Marcos, Lima, 1950; da Universidade de Engenharia, Lirna, 1965 e - Professor Estrangeiro Associado ao Centro Universitário Experimental de Vincennes, Universidade de Paris, 1968 a 1973. Foi Presidente da Associação Mundial de Luta Contra a Fome (ASCOFAM) e Presidente do Conselho da Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), 1952 e 1956.

Foi também Presidente eleito do Comitê Governamental da Campanha de Luta Contra a Fome, ONU, 1960; Presidente da Associação Médica Internacional para o Estudo e Condições de Vida e Saúde (AMIEV), 1970 e membro de várias Associações e Academias no Brasil e no Exterior e Fundador e Presidente do Centro Internacional para o Desenvolvimento - (CID), Paris, 1965 – 1973. Também "Oficial da Legião de Honra", França, 1955, detentor da "Ordem de Andrés Bello" do Governo da Venezuela, 1968.

Foi Deputado Federal pelo Estado de Pernambuco, 1954 a 1962 e Embaixador do Brasil na ONU, em Genebra, 1962 a 1964. Demitiu-se em virtude do golpe militar de 31 de março de 1964 que, através do Ato Institucional Nº.1, lhe cassaria os direitos políticos, em 09 de abril do mesmo ano.

A sua saudade gerou comentários ilustres como:
“Existe fome no Brasil. Ele que deu à fome o estatuto político e científico quando levantou essa questão”. "... este é um crime político que a ditadura militar tem que debitar na sua imensa conta. A morte dele no exílio”. BETINHO

"A Geografia da Fome ficará como uma das grandes obras do após guerra, sobretudo pela metodologia. A idéia que os grandes problemas sociais - e a fome é um deles - têm que ser mapeados”. (IGNACY SACHS) Diretor de Estudos do EHESS - França

"Ele era apenas um brasileiro - um grande brasileiro. Um cientista, um escritor, uns homens públicos, devotados à sua pátria, ao seu povo..." “... Sabia da injustiça, das nossas mazelas, sabia da fome... e como sabia da fome!” • (JORGE AMADO-Escritor)

"Um dos traços fundamentais de Josué de Castro era a sua clarividência. A clarividência é uma virtude que se adquire pela intuição, mas, sobretudo pelo estudo. É tentar ver a parte do presente que se projeta no futuro”. (MILTON SANTOS -Geógrafo)

Álvaro Ramos de Oliveira
Pedagogo
Alvaromiq@bol.com.br
Fonte: http://www.cabecadecuia.com/noticias/36746/josue-de-castro-a-geografia-da-fome.html


Quem está com fome?

A grande maioria das pessoas que não têm o suficiente, vivem em comunidades rurais pobres, em países em desenvolvimento. Muitos não têm acesso à serviços básicos como eletricidade ou de saneamento básico como água corrente, esgoto e serviços de saúde pública, além da educação.


Fonte: sudoestenarede.com.br

Pode parecer estranho, mas a maioria das pessoas em situação de insegurança alimentar e que sofrem de fome no mundo, muitas vezes estão diretamente envolvidas na produção de alimentos. Cultivar pequenas parcelas de terra, criar gado, pescar, faz-se de tudo para alimentar a família ou para ganhar dinheiro no mercado local de produtos.


Fonte: afolhadacabanage.blogspot.com

Muitos dos trabalhadores rurais estão sem terra e trabalham como diaristas para ganhar uma renda suficiente para viver.


Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra no Brasil-Fonte:nelorems.org

O trabalho é sazonal e, muitas vezes a família tem que se mover de uma localidade a outra em busca de melhor condição de vida.


Fonte: ecodebate.com.br

O trabalho é difícil e é difícil poupar para emergências. Mesmo se houver comida suficiente, haverá sempre a ameaça da fome.
Muitas populações rurais, especialmente os jovens, estão deixando suas famílias e estão migrando para as cidades em busca de uma vida melhor. Se eles conseguirem empregos, muitas vezes acabam trabalhando em empregos mal pagos ou perigosos. Eles não encontram alívio da fome e acabam aumentando a crise de moradia urbana, se fixando em favelas.

População mundial que mora em favelas (dados de 2007) - fonte:opiniaoenoticia.com.br

As cidades estão em constante crescimento. A estimativa é de que, em 2030 o número de pessoas que vivem hoje nas cidades , (cerca de 80% da população mundial) vai mais que dobrarar. Enquanto as cidades crescem, o número de pessoas pobres em áreas urbanas vai aumentar. É evidente que a fome e o acesso a alimentos a preços acessíveis nas cidades será cada vez mais difícil.

Há que se ressaltar também que a cada ano, enchentes, secas, terremotos e outros desastres naturais, além de conflitos armados, causam grande destruição e forçam muitas famílias a abandonar suas casas e fazendas. Essas pessoas muitas vezes enfrentam o perigo não só da fome, mas da morte por inanição.
Fonte: http://www.fao.org/kids/es/whohungry.html acessado em 23.05.2011

Fome no Brasil:

A fome provém da falta de alimentos que atinge um número elevado de pessoas no Brasil e no mundo. Apesar dos grandes avanços econômicos, sociais, tecnológicos, a falta de comida para milhares de pessoas no Brasil continua.


Fonte:fatosenoticias.com

Esse processo é resultado da desigualdade de renda, a falta de dinheiro faz com que cerca de 32 milhões de pessoas passem fome, mais 65 milhões de pessoas que não ingerem a quantidade mínima diária de calorias, ou seja, se alimentam de forma precária. Número extremamente elevado, tendo em vista a extensão territorial do país que apresenta grande potencial agrícola. Mas isso é irrelevante, uma vez que existe uma concentração fundiária e de renda. Grande parte do dinheiro do país está nas mãos de somente 10% da população brasileira.


Fonte: josejuniorescritor.blogspot.com

O difícil é entender um país onde os recordes de produção agrícola se modificam de maneira crescente no decorrer dos anos, enquanto a fome faz parte do convívio de um número alarmante de pessoas. A monocultura tem como objetivo a exportação, pois grande parcela da produção é destinada à nutrição animal em países desenvolvidos.


Colheitadeiras de Soja, produto para exportação - Fonte:odiario.com

Mesmo com programas sociais federais (FOME ZERO) e estaduais o problema da fome não é solucionado, e o pior é que ela se faz presente em pequenas, médias e grandes cidades e também no campo, independentemente da região ou estado brasileiro.


Programas Sociais Brasileiros: Bolsa Escola e Fome Zero

A solução para a questão parece distante, envolve uma série de fatores estruturais que estão impregnados na sociedade brasileira. Fornecer cestas básicas não resolve o problema, apenas adia o mesmo, é preciso oferecer condições para que o cidadão tenha possibilidade de se auto-sustentar por meio de educação, de um trabalho e uma remuneração digna.


Cestas básicas - Fonte: correiodopovo-al.com.br

Há que se ressaltar no entanto, a disposição e o empenho de organizações como as Pastorais da Igreja Católica que buscam minimizar o máximo possível o problema da fome e da desnutrição das crianças(Pastoral da Criança) promovendo palestras, acompanhando o desenvolvimento no crescimento das crianças e até mesmo distribuindo alimentos.


Agente da Pastoral da Criança - Fonte: 180graus.com

E também de pessoas como Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho, natural de Bocaiúva - MG, (3 de novembro de 1935 — 9 de agosto de 1997) que foi um sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro.


Betinho - Fonte:contextoshistoricos.blogspot.com

Betinho criou e dedicou-se ao projeto Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.


Slogan do Projeto Ação da Cidadania contra a Fome

Em 1981, junto com os economistas Carlos Afonso e Marcos Arruda, fundou o IBASE - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas e passou a se dedicar à luta pela reforma agrária, sendo um de seus principais articuladores. Nesse sentido conseguiu reunir, em 1990, milhares de pessoas no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, em manifestação pela causa.

Betinho também integrou as forças que resultaram no impeachment do Presidente da República Fernando Collor. Mas o projeto pelo qual se imortalizou foi, provavelmente, a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, movimento em favor dos pobres e excluídos.


Herbert de Sousa, um mito brasileiro - Fonte: blogcoisasnossas.blogspot.com

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